Pedaços de Mim

Precisava juntar meus pedaços, escolhi as palavras...

Meu Diário
14/06/2017 09h39
QUARTA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2017

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QUARTA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2017

Essa noite mamãe não passou bem. Nem o oxigênio aumentava a saturação dela e , além disso a pressão estava muito baixa. Ela ficava com os olhos abertos e acho que de tão fraca não conseguia fechar, ou talvez estivesse se sentindo agoniada.  Isso que me deixa louca, saber que ela está sofrendo e não consegue dizer nada. Estamos todos juntos dela, fazendo o que pensamos que podemos, mas na realidade ela está sozinha com seu sofrimento, pois não pode se comunicar, nos dizer se está sofrendo dor ou angústia. Mas a gente vê pelo olhar que ela está angustiada. Eu sei que está e isso acaba comigo e meus irmãos. Os médicos de Barretos disseram-nos que ela ia ficar só dormindo e não ia sofrer. Mas eles nos enganaram, mamãe está sofrendo sim  e não sabemos o que fazer por ela, senão ligar o oxigênio, dar remédio para dor, conversar com ela. Isso não vai aliviar o seu sofrimento. Só Deus pode fazer isso e eu peço que ele faça porque mamãe, mulher guerreira, calma e sábia que foi não merece tamanha dor.  Eu não quero ficar sem minha mãezinha, mas vê-la sofrer assim é pior que a dor da perda.  Mas o tempo de Deus é diferente do nosso e ele sabe o momento de acabar com esse sofrimento, que talvez seja necessário para evoluir a alma de mamãe. Não sei. Quero ser sábia o bastante para pensar assim, mas coração de filha não tem razões.  Enfim... Seguir...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 14/06/2017 às 09h39
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13/06/2017 13h52
TERÇA-FEIRA, 13 DE JUNHO DE 2017

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TERÇA-FEIRA, 13 DE JUNHO DE 2017

Hoje amanheceu mais frio. Penso que é porque ontem choveu à noite. O dia está daqueles que gosto: friozinho, um leve vento. A alma, apesar de tudo fica leve e gosto dessa sensação. É algo que está bem lá dentro da gente e quando os sentimentos estão lá dentro é bom sinal. Sempre digo que paz, felicidade e Deus estão dentro da gente. Não está nas coisas, nas pessoas, nos lugares. Então apesar das coisas tristes que tenho vivido hoje estou com uma leve paz. Não digo que estou feliz porque não tem como estar sabendo que mamãe está enferma numa cama e não fala, mal abre os olhos. Mas tento ficar melhor mesmo assim porque tem coisas que não posso mudar e preciso serenidade para aceitar. Penso que Deus quer isso de mim. Não quer me ver acabar na tristeza. Mas não nego que choro todos os dias por minha mãezinha. Se pudesse eu daria a ela a sua vidinha de antes. Por exemplo, em dias passados, nessa época ela estaria varrendo as folhas do quintal como fosse um ritual. Ela varria como fosse algo santo as folhinhas miúdas do pé de óleo que o vento trazia e deixava por todos os lados no quintal. E ela varria todos os dias. Sempre vou lembrar-me dela assim lá com seu casaco azul de tricô, a vassoura de palha... Na encosta o velho pé de óleo, o vento balançando seus galhos e levando como num balé as folhas miúdas pelo ar e deixando-as pelos cantos das paredes, das telas do quintal... Hoje me lembrei de tudo isso e senti saudade da fazenda e quis estar lá e me sentar ao tronco dessa velha árvore ou andar pelos campos sentindo o vento e o frio no rosto. Mas minha mãe não está lá e então eu também não quero estar.

Hoje meu pai foi para lá. Ele sempre vai. Diz que não tem como deixar tudo para lá e até entendo. Então ele fica apenas uns cinco dias, depois vai cuidar das coisas lá, afinal a vida não pode parar. Mas ele tem setenta e sete anos e ficamos preocupados por que inventa de fazer mil coisas e sempre acontece algo perigoso. Mas não adianta falar. Ele vai chorando por deixar minha mãe aqui nesse estado. Ela tem estado desiludido e diz que a fé está balançando. Ele pensa que vai acontecer um milagre e reza. Mas ai não acontece nada e ele fica revoltado. Afinal são 57 anos de casados e de alguma forma ele quer salvar mamãe. Não é fácil ver ele assim. Está magrinho, cabisbaixo... Mas na vida existem tantos mistérios que não tem como ficar questionado. Melhor seguir a vida...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 13/06/2017 às 13h52
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12/06/2017 13h13
SEGUNDA-FEIRA 12 DE JUNHO DE 2017

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SEGUNDA- FEIRA 12 DE JUNHO DE 2017

 

Ontem eu não escrevi e tive motivos para escrever, mas não tive tempo embora fosse domingo. Teve dois momentos marcantes ontem. O primeiro foi quando fui à missa e na Capela São José Operário me deparei com o maravilhoso pé de Neve da Montanha junto ao muro e contracenando com o sol matinal e o leve friozinho. Uma cena tão linda que até o padre convidou todos a olharem o espetáculo. De fato a natureza é algo incrível e perfeito. Além disso, na missa me pediram para ler a segunda leitura que era de São Paulo e nela ele desejava a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sempre que vou à missa nessa capela, sinto-me em casa. As pessoas todas me conhecem e agora que meu esposo inventou de ir comigo mesmo com todas as dificuldades de locomoção, todos querem me ajudar com ele. Sinto-me de certa forma protegida. A missa do domingo é um momento único para mim.

Depois da missa fui ajudar minha irmã no banho matinal de mamãe.  Chegar lá e vê-la sempre dormindo mesmo durante o banho é algo que questiono, mas tenho tentado aceitar. Ainda mais que ontem mesmo o Padre Aureliano disse que tem coisas que são mistérios e não adianta tentar desvendá-los. A doença de mamãe é um mistério para mim e, embora me doa, tento aceitar já que os médicos disseram que não tem mais jeito.

Mas sobre o outro motivo para escrever foi triste. Quando cheguei para ajudar minha irmã, meu pai veio com a notícia de que minha prima Luciana tinha falecido. Fiquei completamente chocada porque era tão linda e jovem e de repente do nada um problema no fígado a levou. Foi para o pronto socorro no sábado de noite e faleceu no domingo de madrugada. Ainda custo a acreditar, mas também penso que não somos donos de nossa vida e chega um momento que Deus nos pede ela de volta. As formas às vezes são trágicas, absurdas, porque a morte, apesar de ser a única certeza que temos, ainda é absurda. Enfim...

Hoje é um novo dia e quando vim trabalhar e passava com meu velho fusca na Avenida do Córrego fiquei pensando que na Bíblia Deus nos pediu que fossemos alegres sempre apesar das dificuldades. Então eu quero tentar ser mais alegre. Não por causa das coisas mundanas, pois estas, com certeza não nos completa e às vezes só trás tristezas. Mas quero ser alegre pro Deus porque só ele me completa e me oferece coisas lindas, mesmo no meio das adversidades. Por exemplo, o pé de Neve da Montanha ao lado da Capela, a paisagem da Avenida do Córrego com vacas holandesas pastando calmas. Gosto de acelerar o fusca um pouco e sentir o ar no rosto. E hoje, imagine, teve o lindo canário no retrovisor do Fusca que não me deu tempo de capturá-lo pelo celular.  São coisas simples que preenchem a vida. Sobre mamãe, às vezes penso que ela não pertence mais ao mundo como minha madrinha Conceição disse, mas Deus tem o tempo dele para levá-la. Vai doer, mas tem coisas que não posso interferir.

Bem, mas hoje depois do almoço deixei o Fusca na Oficina para lanternagem e pintura de umas coisas que estava precisando. Uma semana vou estar a pé ou de bicicleta. Embora ainda fraca da gripe para andar, vai ser bom e vou poder olhar mais em volta de mim. Penso que quando olho em volta de mim, as coisas, as pessoas, a natureza, é para mim mesmo que estou olhando. Isso é bom e estou precisando...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 12/06/2017 às 13h13
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10/06/2017 09h35
SABADO, 10 DE JUNHO DE 2017

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SABADO, 10 DE JUNHO DE 2017

 

O que eu diria hoje? Será mesmo necessário dizer alguma coisa? Talvez eu diga que hoje está mais frio que ontem e embora eu goste, isso complica minha gripe.  Mas é bom olhar de onde estou para a linha do horizonte e ver uma tênue cortina de neblina encobrindo um pouco as árvores ao longe. Da minha mesa de trabalho, o enquadramento da minhas visão dá para ver um pouco delas. As nuvens estão meio sombrias, meio cinzas. Ou sou eu que estou assim? Talvez. Bem de qualquer forma o dia espera muitas coisas de mim e penso que não terei tempo de pensar nessas angústias que tem tomado conta de mim. Por exemplo, assim que preparar o almoço vou fazer um bolo de milho verde. Meu pai trouxe da fazenda e repartiu com os filhos seis espigas para cada um.  A receita gasta apenas seis, entre outros ingredientes como queijo. Vou tentar fazer. E talvez eu faça também pão de queijo. Cansei de pão francês. Comi a semana inteira. Depois vou lavar roupas e se der tempo até as 14 horas arrumo a casa. Mas penso que não dá porque as quatorze e trinta preciso ir ajudar minha irmã a cuidar de mamãe que está praticamente em coma.   Vou levar linhas para ela fazer uma tartaruga como peso para porta não bater. Talvez também eu retorne ao meu tricô de tarde e também visite o Sr Geraldo. Ele me ligou e pediu que queria ver meu esposo. Gosta muito dele e faz tempo que não o vê. Na verdade tem muitas visitas que preciso fazer: visitar minha madrinha de crisma, meu tio Ermírio que está com mal de alzheimer, meu tio Zezé que operou a coluna, a Sueli dona do AP onde morei ano passado. Muitas coisas que vou deixando por falta de tempo ou descuido não sei. Não é fácil trabalhar nove horas por dia, cuidar da casa e esposo doente, minha querida mãezinha doente também e inventei de fazer especialização em Mídias na Educação.  Deixei até minha paixão de lado que é ler e escrever. Na verdade com tudo que temos passado com mamãe, minha inspiração não está boa, razão porque estou em falta com o Recanto. Bem, na verdade, preciso gerir meu tempo e só eu posso fazer isso.  Para quem não sabia o que escrever, escrevi até demais. Justo eu que detesto diários. Mas agora percebi que é uma forma de alívio. Foi bom...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 10/06/2017 às 09h35
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09/06/2017 16h15
SEXTA-FEIRA 09 DE JUNHO DE 2017

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Sexta-feira 09 de junho de 2017

Hoje comecei o dia errando a hora. Não errei a hora exatamente, porque ouvi o alarme do celular  às 5:30 e sempre que isso acontece começo a fazer minhas orações matinais logo em seguida. Mas assim que terminei esse ritual decidi por mais cinco minutos na cama para aproveitar a noite melhor dormida depois de dez dias mal dormida em razão de uma gripe muito forte. O resultado foi que os cinco minutos transformaram-se em quarenta. Ou seja, apaguei, e quando acordei, tive pouco tempo para preparar o café e sair correndo para comprar pão. Cheguei dez minutos atrasada no trabalho.  Não passei bem o dia porque a gripe ainda acaba comigo, mas tive ânimo de vir ao Recanto depois de muitos dias. Sinto saudades daqui, mas o ânimo  e a inspiração para escrever ainda é pouco. Não tem sido fácil minha vida desde que minha mãezinha luta pela vida.  Nos últimos três meses, por exemplo, ela apenas vegeta e nós não podemos fazer mais nada por ela. Só Deus pode e também só ele sabe o momento certo de acabar com esse sofrimento dela. Todos os dias choro por causa dela porque é difícil chegar lá todas as tardes depois do trabalho e vê-la sempre dormindo. Às vezes abre os olhinhos, mas a gente nem sabe ao certo se ela nos vê direito. Então converso com ela e pelo agito sei que ela me entende. Então choro porque eu queria, como filha  devolver-lhe a vida e como não posso, sinto-me inútil. Enfim...

Os dias passam lentos. Já se aproxima o inverno  e eu tento viver. Tenho tentado decidir voltar a escrever aqui e vou me forçar a isso porque uma pessoa querida me disse que sente falta de mim aqui eu sempre pensei que o Recanto fosse meu divã. Então...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 09/06/2017 às 16h15
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