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13/06/2017 13h52
TERÇA-FEIRA, 13 DE JUNHO DE 2017

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TERÇA-FEIRA, 13 DE JUNHO DE 2017

Hoje amanheceu mais frio. Penso que é porque ontem choveu à noite. O dia está daqueles que gosto: friozinho, um leve vento. A alma, apesar de tudo fica leve e gosto dessa sensação. É algo que está bem lá dentro da gente e quando os sentimentos estão lá dentro é bom sinal. Sempre digo que paz, felicidade e Deus estão dentro da gente. Não está nas coisas, nas pessoas, nos lugares. Então apesar das coisas tristes que tenho vivido hoje estou com uma leve paz. Não digo que estou feliz porque não tem como estar sabendo que mamãe está enferma numa cama e não fala, mal abre os olhos. Mas tento ficar melhor mesmo assim porque tem coisas que não posso mudar e preciso serenidade para aceitar. Penso que Deus quer isso de mim. Não quer me ver acabar na tristeza. Mas não nego que choro todos os dias por minha mãezinha. Se pudesse eu daria a ela a sua vidinha de antes. Por exemplo, em dias passados, nessa época ela estaria varrendo as folhas do quintal como fosse um ritual. Ela varria como fosse algo santo as folhinhas miúdas do pé de óleo que o vento trazia e deixava por todos os lados no quintal. E ela varria todos os dias. Sempre vou lembrar-me dela assim lá com seu casaco azul de tricô, a vassoura de palha... Na encosta o velho pé de óleo, o vento balançando seus galhos e levando como num balé as folhas miúdas pelo ar e deixando-as pelos cantos das paredes, das telas do quintal... Hoje me lembrei de tudo isso e senti saudade da fazenda e quis estar lá e me sentar ao tronco dessa velha árvore ou andar pelos campos sentindo o vento e o frio no rosto. Mas minha mãe não está lá e então eu também não quero estar.

Hoje meu pai foi para lá. Ele sempre vai. Diz que não tem como deixar tudo para lá e até entendo. Então ele fica apenas uns cinco dias, depois vai cuidar das coisas lá, afinal a vida não pode parar. Mas ele tem setenta e sete anos e ficamos preocupados por que inventa de fazer mil coisas e sempre acontece algo perigoso. Mas não adianta falar. Ele vai chorando por deixar minha mãe aqui nesse estado. Ela tem estado desiludido e diz que a fé está balançando. Ele pensa que vai acontecer um milagre e reza. Mas ai não acontece nada e ele fica revoltado. Afinal são 57 anos de casados e de alguma forma ele quer salvar mamãe. Não é fácil ver ele assim. Está magrinho, cabisbaixo... Mas na vida existem tantos mistérios que não tem como ficar questionado. Melhor seguir a vida...


Publicado por Sonia de Fátima Machado Silva em 13/06/2017 às 13h52
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