SOL DE INVERNO
Nas manhãs de inverno você sempre vem...E às me descobreenvolta nas cobertasenquanto lá fora tudo já está alerta...Mas não é sempre assim...Tem dias que te espero na janelae até pinto uma aquarelaem meus lábios de carmim...E até assobio algumas cançõespois o frio tem suas lições...E, como de costume, você brilhaatravés da névoa pálida...E eu feito uma crisálidavou desabrochando... desabrochando...e nem sou borboleta... imagine...mas insisto em voar nas asas do vento...Mas és tu que me imprimiessa vontade de voejar;essa vontade de misturar-me ao ar...Eu não sei por que você faz isso...Talvez porque eu seja qual um lariço...E suporto temperaturas intensas...Ah! tudo sabes minhas crenças...Acho que sabe mais sobre mim do que eu mesma. Ah! sim...Sabe, por exemplo, que gosto do invernoe que no ededrom eu me hibernosem coragem de levantar...E por isso vem me acordar...E eu me entrego ao teu feitiço,ao teu jeito de me despertar,sorrateiro filtrando as rendasda cortina a balançar...Ah! Tua luz é minha prenda...e assim meio trôpega,um tanto em desalinhoacabo deixando o ninhosó para te saudar...E tu depois de me beijar desse seu jeito meio enrubescidovai rasgando a trilhaentre o capinzal secosecando os rocios inda intumescidos.Espalhando teu calor...Eu me derreto com tanto fulgorfeito geada na serra...Ah! Nessa hora tudo se desterrasó pra ti sentir...Há tanto motivo para sorrirainda que seja inverno...E teu calor é tão terno!
( Imagem: google)
Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 28/06/2014