
TARDE DE VERÃO
Tarde de verão é assim: inércia total...Não há nem uma brisa que passa,embora se tenha a impressãode que ela passa e que as folhas farfalham.Mas é tudo ilusão e tudo fica tão imóvel!Até o pensamento... Exceto os sentidos...Porque penso serem eles que nos trazemessa ideia de ilusão...E a gente tem a ilusão que quer.Até de que a brisa passa...Então penso em Pessoaque não tinha filosofia, mas tinha sentidos.E foi ele mesmo quem disse:“fôssemos nós como devíamos sere não haveria em nós necessidade de ilusão...Bastar-nos-ia sentir com clareza ...”Então é por isso que sinto essa tarde de verão,sentindo como nunca senti antesesse calor quase insuportável,olhando as folhas quietas de meu quintal...Graças a Deus eu sintoe também não tenho filosofia...Talvez seja por isso que eu escrevo.Mas não sou como Pessoaembora seja uma pessoa que ainda tem muito para sentirnuma tarde de verão...( Grifos: Alberto Caeiro- pseudônimo de Fernando Pessoa)
( IMAGEM: GOOGLE)
Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 09/01/2015