
SAUDADE
A saudade tem dedos de veludo,
Toca a alma como a chuva mansa,
Cai suave pela alameda, contudo,
Com a dor possui certa semelhança.
Abre a ferida do passado, sobretudo,
Dói lentamente a cada lembrança.
A saudade tem dedos de veludo,
Toca a alma como a chuva mansa.
Fere de dor até o ser mais sisudo,
O pranto cai como que por vingança.
Sofre o pobre coração sempre mudo,
Mas tem a doçura de uma criança.
A saudade tem dedos de veludo.

A ÚLTIMA ESTRELA
Desponta a aurora, a última estrela brilha
Transpondo a noite vazia, solitária e triste.
Sozinha em sonhos em seu cosmos fervilha,
Prestes a ser tragada pelo sol ainda insiste.
Envolta em brumas o último brilho partilha
Quisera conhecer a manhã... mas partiste...
Desponta a aurora, a última estrela brilha
Transpondo a noite vazia, solitária e triste.
Entre acordes e orvalhos segue sua trilha.
Tímida, na sua boêmia nobreza remiste
O pecado de ter sido a doce maravilha,
Desejo de amantes... versos que pariste...
Desponta a aurora, a última estrela brilha.

CIDADE ADORMECIDA
Olho a cidade exausta e adormecida
Suas artérias vazias pulsam em seu seio;
O silêncio aninha no regaço das avenidas
E sombras passeiam c’ousadia e sem receio.
Logo, logo ladra uma cadela ensandecida
Em seu cio pudico e sem nenhum anseio;
Olho a cidade exausta e adormecida
Suas artérias vazias pulsam em seu seio.
No céu aparece a lua nômade e intrometida
A iluminar becos e atiçar dos amantes o enleio;
Em algum lugar o sino de alguma ermida
Acorda minh’alma sonoleta, versos tateio;
Olho a cidade exausta e adormecida.
IMAGENS: criadas no Canvas com IA
POEMAS: criados em 2014 e ainda não publicados aqui
